Móveis conquista Eufrásio Barbosa
Fonte: Jornal do Commercio - Caderno C | Autor: Fellipe Fernandes fellipelmfernandes@gmail.com | Data: 03/08/2009 | 0 comentários
Ao longo do tempo, o rock foi assumindo características variadas,
dando origem a outros estilos e ritmos. No entanto, mais de 50 anos
depois das reboladas de Elvis, uma veia catártica continua a
acompanhar o balanço, seja qual for a sua cara. Se pular continua
sendo uma das grandes razões de ir a um show, ainda que o som não seja
o mais puro rock’n’roll, ao menos a atitude é. Essa pode ser uma das
conclusões tirada ao ver o Mercado Eufrásio Barbosa lotado no último
sábado. O público cantou, dançou e pulou, seja ao som da brasiliense
Móveis Coloniais de Acaju ou dos olindenses da Eddie.
Já era 1h da madrugada quando um apresentador anunciou o início do
show de Móveis. Ainda que a pontualidade já não seja mais esperada nos
eventos do Eufrásio Barbosa, as quase quatro horas de atraso foram
sentidas pelo público. Mas nada que não pudesse ser esquecido na
pequena festa que se formava com a aglomeração concentrada em frente
ao local do show. Apenas em tempos de MySpace, uma banda como a Móveis
poderia ser acompanhada por um coro fiel até nos seus mais recentes
lançamentos. Com todos os nove integrantes pulando no palco, eles
iniciaram o show com Seria rolex?. Em seguida mais composições do CD
C_mpl_te (leia complete), como Cheia de manha e O tempo. Comandando a
plateia nas palmas e nos pulos, os brasilienses mostraram que já
fidelizaram parte da audiência pernambucana (aqui e ali, na noite de
sábado, escutava-se comentários como “órfãos de Los Hermanos”).
Depois de trinta minutos de intervalo, Fabinho Trummer e companhia
subiram no palco depois das 3h. Como de costume, a Eddie mostrou a
força do original olinda style dentro da própria casa. E, ao que
parece, estão se especializando em dividir o palco (e o público) com
bandas de fora do Estado (há pouco tempo, tocaram no Eufrásio Barbosa
na mesma noite dos cariocas do Fino Coletivo). Com um repertório que
vai de Ramones a Erastos Vasconcelos, os olindenses não deixaram o
público perceber que já passava das 4h quando o fim do show foi
anunciado.
O que as duas bandas têm em comum? Além de um público fiel que grita
suas composições ao pé da letra, os músicos compartilham uma certo
estilo de show no qual a comunicação com o público é estabelecida de
maneira bastante eficiente pelo próprio som. Sem muita conversa, eles
subiram no palco e mostraram para que estavam ali. Mas como roqueiro
também precisa vender seu peixe (e essa coisa de underground já não
importa tanto), os dois grupos não perderam a oportunidade de lembrar
que, “ali atrás”, camisas e CDs de suas bandas estavam disponíveis
para venda, numa loja improvisada.
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